Por Emanoel Araújo e Guilherme Daolio

Mesmo quem não sabe nada de surfe ou nunca subiu em uma prancha já ouviu falar que o Havaí é o paraíso dos surfistas, certo? E o nome Pipeline, diz algo para você?

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A força e perfeição das ondas, as paisagens de tirar o fôlego e todo o misticismo que cerca o Havaí foram e são panos de fundo para filmes inesquecíveis, grandes ensaios fotográficos, peças de publicidade e, claro, para a última e decisiva etapa do Mundial de Surfe.

Como já é tradição na última década,  as ondas de Banzai Pipeline são o 11° e derradeiro desafio da temporada e, mais uma vez, tem a função de definir o mais novo campeão mundial de surfe. Os brasileiros Gabriel Medina e Filipe Toledo disputam a taça com o australiano Julian Wilson. Mas tem muito mais coisa em jogo.

Estado ou Nação

Geograficamente, o Havaí é um estado americano. Localizado a mais de 4 mil quilômetros de Los Angeles (6 horas de avião), o arquipélago é composto por 19 ilhas. A maior e mais conhecida delas é Oahu, onde fica a capital Honolulu.

No surfe, o Havaí é uma nação. Os surfistas havaianos competem pelo Havaí e não pelos Estados UInidos. O North Shore (litoral norte) da Ilha de Oahu é onde ficam as mais famosas praias locais, entre elas Banzai Pipeline.

Reza a lenda que a história do surfe tenha se originado na Polinésia Ocidental, cerca de 2 mil anos atrás. Os primeiros surfistas seriam pescadores que encontraram no ato de deslizar sobre as ondas um meio mais fácil de retornar ao litoral mais rapidamente.

Quando estes polinésios chegaram ao Havaí, por volta do século IV, o surfe deixou de ser associado ao trabalho e passou a fazer parte da rotina e, principalmente, da cultura local.

Mas os primeiros registros do esporte no Havaí datam dos anos 1700, quando o navegador britânico James Cook esteve no local e descreveu assim o que viu:

“ Seres quase míticos caminhavam, não sobre o sal da terra, fruto da vida, mas sobre as ondas do mar, a origem de tudo”

Lendas e histórias à parte, não tem como negar que o estado (ou a nação) respira o surfe.

Amada e temida

Bancadas de coral ficam muito próximas a superfície (SURFERTODAY)

Não é à toa que Pipeline é a onda mais famosa, disputada, amada e temida do mundo. Apesar de sempre parecer superlotada, ela é para poucos. Os avisos na praia indicam forte correnteza e pedem para que os banhistas não se aventurem. Mas curiosamente são os perigos dessa onda que a tornam tão perfeita.

Uma bancada de coral extremamente rasa deixa a onda mais cavada e tubular, mas também pode transformar qualquer tentativa de subir na prancha em um pesadelo. Pipeline é uma onda que de tão mortal, ganhou o hábito de imortalizar aqueles que a dominam.

No mesmo pico, existem dois tipos de onda. Quando quebram para a direita, elas são chamadas de Pipeline, enquanto para a esquerda são denominadas Backdoor. A formação de Banzai Pipeline proporciona rápidos e perfeitos tubos para os dois lados. Mas nos últimos anos também vimos mares pequenos e até os aéreos chegaram a ser considerados quando as condições não estavam boas. Mas são os tubos que realmente interessam para arrancar boas notas dos juízes.

O que está em jogo?

Julian Wilson, Gabriel Medina e Filipe Toledo disputam o título mundial (MESTRE/WSL)

A grande luta em Pipeline obviamente é pelo título mundial. Três atletas chegam ao Havaí com chances de levantar o caneco. Os brasileiros Gabriel Medina e Filipe Toledo e o australiano Julian Wilson.

Líder do ranking mundial, Medina garante o bicampeonato se chegar na decisão em Pipe. Caso pare na semifinal, Filipinho e Julian precisam vencer o evento para tirar o título do atleta de Maresias. Mas se Medina cair nas quartas de final ou antes disso, para Filipe ou Julian basta chegar na final para ser o novo campeão mundial conquistar o inédito título.

Todos estarão de olho na briga pelo título mundial, mas a parte debaixo do ranking mundial também prepara boas brigas. Dos 34 surfistas que compõe a elite do esporte, apenas os 22 melhores de cada ano garantem vaga na próxima temporada.

Se a competição terminasse hoje, o brasileiro Yago Dora garantiria a última vaga para 2019. Tomas Hermes é atualmente o 25° melhor do mundo e precisa de uma boa campanha para se manter no Top 34. Já Jessé Mendes (29°), Ian Gouveia (29°) precisam de um milagre em Pipe para continuar entre os melhores do mundo.

Miguel Pupo e Wiggolly Dantas não começaram o ano no Top 34, mas competiram em vários eventos por conta de lesões ou desistências de outros atletas. Os dois estão bem longe da linha de corte e terão que disputar novamente a Divisão de Acesso em 2019. Já Caio Ibelli se lesionou ainda no início da temporada e busca um dos convites que a WSL reserva para casos como o dele.

Italo Ferreira conquistou 3 etapas em 2018 (ED SLOANE/WSL)

Os brasileiros ítalo Ferreira (4°), Willian Cardoso (13°), Michael Rodrigues (14°) e Adriano de Souza (17°) já estão garantidos na elite no ano que vem.

Quem é Quem em Pipe

Em 2014, Medina foi campeão mundial, mas perdeu a final de Pipeline para Julian Wilson (MASUREL/ASP)

Se levarmos em consideração apenas o retrospecto dos surfistas em Pipeline, Julian Wilson é quem se sai melhor.

O australiano é o único dos três concorrentes que já venceu a etapa havaiana. Em 2014, Medina se sagrou campeão mundial na icônica ilha, mas foi Julian quem ganhou o evento, batendo justamente o brasileiro na decisão. Ele também alcançou as quartas de final em outras duas oportunidades (2013 e 2017).

Além da derrota na final em 2014, Medina também ficou com o vice no ano seguinte, quando perdeu para Adriano de Souza. O “Capitão Nascimento” também conquistou ali seu único título mundial. Em seu ano de estreia (2011) e no ano passado, Medina também alcançou as quartas de final.

Já Filipinho é quem tem o maior desafio: fazer o seu melhor em Pipeline. Afinal, já foram cinco participações em Pipeline e o melhor resultado é uma modesta quartas de final, em 2014.

O maior vencedor do Pipe Masters é Kelly Slater com 6 títulos, sendo o primeiro em 1994 e o último em 2013. O Mestre dos Magos está de volta ao tour depois de uma temporada quase sabática. Não é preciso dizer que nunca se deve duvidar dos poderes de Kelly.

O atual campeão é o francês Jeremy Flores. Dos que ainda estão em ação, o australiano Joel Parkinson e o taitiano Michel Bourez também já venceram o mais importante evento do surfe mundial.

O Yahoo Esportes já está aqui no Havaí para trazer todas as notícias do surfe direto da Ilha de Oahu. Então anote aí:

  • O que: 11ª e última etapa –  Billabong Pipe Masters
  • Quando: De 08 a 20 de dezembro – 1ª chamada às 16h (horário de Brasília)
  • Onde: worldsurfleague.com, Fan Page da WSL, ESPN 2 ou WatchESPN



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