O lateral Gabriel Paulista, atualmente no Valencia, deu uma emocionante entrevista ao jornal espanhol ‘As’, em que traçou todos os passos de sua carreira e relembrou momentos difíceis, como a morte do irmão, a vida na favela de São Paulo, a fome e o tortuoso início de carreira.

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– Tudo que vivi em minha infância me faz relativizar os momentos ruins do futebol. Meus pais passaram coisas terríveis, foram muitos anos tristes para eles. A vida na favela em São Paulo é difícil. Eu sou o caçula de cinco irmãos, vivíamos em uma casa de madeira, que se inundava cada vez que chovia. Eles passaram fome… Por isso, quando eu perco uma partida, fico chateado, mas paro e penso o que passou a minha mãe. Me do conta que nós vamos ter outra partida, pouco dias depois e que um dia ruim no futebol tem solução – disse Gabriel

Início difícil
– Ainda me recordo quando disse a minha mãe que queria ser jogador de futebol. Ela me olhou e disse que era muito difícil, que eles não tinham condição de pagar para que eu fizesse um teste, que eu tinha que buscar trabalho para ajudar em casa. Mas, ainda assim, ela gastava o dinheiro das refeições para que eu pudesse ir treinar. Quando firmei meu primeiro contrato (Vitória), prometi que ia comprar uma casa para ela – conta

A morte do irmão e um novo começo
– Compraram o Taboão da Serra, um clube da quarta divisão do Brasil. A equipe jogava a Taça São Paulo, o mais importante de jovens (respira fundo). Isso eu nunca contei (respira). Meu irmão quis ser jogador, mas não teve oportunidades. A vida na favela é muito difícil e ele acabou indo para o caminho ruim. A polícia tirou sua vida com 21 anos. A pessoa que tinha comprado o Taboão era amigo de infância do meu irmão. Ele chamou a minha mãe e disse: ‘Vou dar para o Gabriel a oportunidade que seu outro filho não teve’ – revela, emocionado

O triunfo e a gratidão
– Dei tudo de mim para jogar. Depois fui para o Vitória, foi quando estreei na Série A e quando firmei meu primeiro contrato profissional. Veio a proposta do Villarreal e isso mudou a minha vida e da minha família… Agradeço a todos por onde estou. A essa pessoa, a minha família, ao Villarreal, ao Arsenal, ao Valencia – finalizou

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